Em 2015, após tirar a baleia-jubarte da lista de espécies ameaçadas de extinção, o Instituto Baleia Jubarte (IBJ) decidiu investir na proteção de outra espécie ameaçada: a toninha.
Em 2017, através de um edital FUNBIO, aprovamos uma proposta para avaliar o problema das capturas acidentais de toninhas na pesca no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.
Começou assim o Projeto Diagnóstico da Captura Incidental de Toninha na Área de Manejo I (FMA I) e Abordagem Comunitária de Medidas de Mitigação.
Durante três anos trabalhamos junto aos pescadores para entender o problema e buscar soluções para diminuir a mortalidade de toninhas ligada à atividade pesqueira e evitar que elas desapareçam dessa região.
A Toninha (Pontoporia blainvillei) é o golfinho mais ameaçado do Brasil e vive em águas rasas, perto da costa, desde o Espírito Santo até a Argentina.
Pequena, com cerca de 1,5 metros de comprimento, se reproduz pouco, com um único filhote nascendo a cada 1 ou 2 anos.
Toninhas se alimentam de pequenos peixes como a pescadinha, manjuba, sardinha e também de pequenas lulas.
São animais muito discretos e difíceis de serem observados na natureza. Vivem em grupos pequenos de até 5 animais.
As toninhas são uma espécie única em nosso planeta e existem há cerca de um milhão de anos.
As toninhas costumam morrer emalhadas em redes de pesca.
Seu “bico” longo e cheio de dentes faz com que elas fiquem presas e acabem se afogando.
O emalhe acidental é a principal causa de mortalidade das toninhas, mas elas também sofrem muito com a poluição, a degradação do ambiente onde vivem e a ocupação do litoral.
Estima-se que restem apenas cerca de 600 toninhas no Espírito Santo e 1200 no Rio de Janeiro.
Para complicar ainda mais a situação, as toninhas do Espírito Santo e do Rio de Janeiro vivem isoladas entre si e do restante da população no Brasil, por isso o risco de ocorrer a extinção da espécie nestes dois estados é muito alto.
Durante dois anos monitoramos os desembarques nas comunidades pesqueiras para saber onde, como, o quê cada comunidade pescava e como elas interagiam com as toninhas.
Trabalhamos em 6 comunidades do Espírito Santo e 4 do Rio de Janeiro.
Fizemos um censo da frota pesqueira e entrevistas com duas rodadas de conversa nas comunidade, para ouvir os pescadores sobre os problemas enfrentados e as possíveis soluções.
Quatro observadores de bordo participaram de embarques para registrar eventuais capturas de cetáceos pelas redes de pesca.
Avaliamos os resultados e sugerimos algumas alternativas para reduzir os riscos de incidentes.
Quantidade de embarcações monitoradas entre julho de 2017 e setembro de 2019
Estíma-se que existam apenas pouco mais de 1.800 toninhas nos litorais do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e vivendo isoladas do restante da população.
Todas as áreas de ocorrência de toninhas analisadas estão sob risco, tanto no Espírito Santo como no Rio de Janeiro, ou seja, não há nenhuma área de ocorrência de toninhas com risco zero de emalhes acidentais.
Espírito Santo
Rio de Janeiro
Abundância Estimada (Indivíduos)
Número estimado de capturas acidentais por redes de pesca
Limite de capturas para evitar o declínio da população de toninhas
595
0,7
6
1280
1,6
8
Todas as áreas de ocorrência de toninhas analisadas estão sob risco, tanto no Espírito Santo como no Rio de Janeiro, ou seja, não há nenhuma área de ocorrência de toninhas com risco zero de emalhes acidentais.
Abundância Estimada (Indivíduos)
Espírito Santo
595
Rio de Janeiro
1280
Número estimado de capturas acidentais por redes de pesca
Espírito Santo
0,7
Rio de Janeiro
1,6
Limite de capturas para evitar o declínio da população de toninhas
Espírito Santo
6
Rio de Janeiro
8
Comunidades como Regência e Guriri dependem mais da pesca de emalhe costeira, enquanto outras conseguem ir pescar mais afastado da costa.
Não há solução fácil para o problema. Restringir a pesca de emalhe em áreas de maior concentração de toninhas, usar alarmes sonoros nas redes e mudar as artes de pesca, e buscar alternativas socioeconômicas para as comunidades são possíveis soluções que devem ser construídas de forma participativa com os pescadores.
Toninhas podem morrer com o lixo no mar. Evite sacolas e produtos descartáveis e encaminhe para reciclagem tudo o que for possível. Corte o lacre de embalagens antes de descartá-las.
Se for consumir pescado procure saber a procedência e se ele foi capturado de forma sustentável.
Dia 01 de Outubro é o Dia Nacional da Toninha, participe de inciativas promovidas neste dia.
Na época das eleições escolha representantes
que tenham afinidade pelas questões ambientais.
Para conservar é preciso conhecer.
Ajude a divulgar a situação das toninhas para seus contatos.
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A realização do Projeto Conservação da Toninha é uma medida compensatória estabelecida pelo Termo de Ajustamento de Conduta de responsabilidade da empresa Petrorio, conduzido pelo Ministério Público Federal – MPF/RJ, com implementação do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – Funbio